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Edição 36 | 01 Setembro 2010   
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OS SJ
Quem são os sj ?

Os sj são os jesuítas, nome pelo qual são conhecidos quase desde a fundação os membros da Companhia de Jesus, que em latim se diz “Societatis Jesu” (ou Iesu). Daí essas letras que colocam tradicionalmente a seguir ao nome, e que inspiram o nome Essejota desta página.

Um gentil-homem chamado Inácio de Loyola...

Os jesuítas nasceram, quase poderia dizer-se, por causa de uma bala de canhão. Porque foi uma bala de canhão que, na defesa da cidade de Pamplona em 1521, feriu na perna um gentil-homem chamado Inácio de Loyola, basco de origem e cavaleiro da corte por opção. Ferimento que o obrigou a uma longa convalescença na sua casa natal, onde, à falta de alternativa, se dedicou a ler vidas de santos, surgindo daí a interrogação (que surpreendeu em primeiro lugar a ele próprio!): “Se eles fizeram tudo isto por Cristo, porque não eu?”. Partiu então para Jerusalém, com desejos de fazer-se eremita, mas não o deixaram ficar. E no regresso a Espanha, ao começar a ajudar outros, teve problemas com a Inquisição: “Que não fale de Deus se não tem títulos académicos!”. Resolveu assim estudar. E na melhor universidade do tempo, em Paris. Ali entusiasmou outros companheiros de estudos para o seu ideal, “servir somente ao Senhor e à sua esposa a Igreja, sob a direcção do Romano Pontífice, [...] atender à defesa e à propagação da fé e o aperfeiçoamento das almas na vida e na doutrina cristãs [...] E também pacificar os desavindos, ajudar e servir os que se encontram presos nas cadeias e enfermos nos hospitais, e exercitar outras obras de caridade...” [Fórmula do Instituto, 1550]. Arrastou consigo homens como o destemido Francisco Xavier, o manso Pedro Fabro, o português Simão Rodrigues... e assim nascia a Companhia de Jesus!

... e um modo de olhar para o mundo

Da experiência desses primeiros anos de Inácio, das suas intuições sobre Deus e sobre o homem, sobre o mundo e sobre a história, se foi plasmando o pequeno mas profundo livrinho dos Exercícios Espirituais. Que está na base, até hoje, da chamada espiritualidade inaciana e da missão dos jesuítas: procurar a Deus em todas as coisas (“Atender como Deus habita nas criaturas, nos elementos dando-lhe o ser, nas plantas o vegetar, nos animais o sentir, nos homens o entender” [EE 235]); a gratidão face a tanto bem recebido (“Trazer à memória os benefícios recebidos da criação, redenção e dons particulares, ponderando, com muito afecto, quanto tem feito Deus, nosso Senhor, por mim” [EE 234]); e a resposta, em amor, Àquele que nos amou primeiro (“Como um amigo fala a outro amigo, perguntar-me: o que tenho feito por Cristo? O que faço por Cristo? O que farei por Cristo?” [EE 53-54]), procurando discernir por onde passa o bem mais necessário, mais urgente e mais universal (“Somente desejando e escolhendo o que mais nos conduz para o fim para que somos criados” [EE 23])

Os jesuítas hoje no mundo...

Hoje, os jesuítas são cerca de 20 000, espalhados por 127 países. Dedicando-se, como já desde o inicio, a uma multiplicidade de trabalhos: paróquias e casas de Exercícios, colégios e universidades, reflexão teológica e publicação de revistas, acção social e inserção em bairros marginais, diálogo com a cultura e com outras religiões. E ainda a todo um conjunto de saberes “profanos”: há jesuítas biólogos e outros historiadores, há astrónomos e sociólogos, psicólogos e engenheiros, pintores e músicos... porque, como no tempo de Inácio, Deus se pode (e deve!) encontrar em todas as coisas. Com a consciência de que todo o mundo é campo privilegiado da acção de Deus, e que, face a tantas desigualdades e injustiças do mundo de hoje, muito há ainda por fazer, ser jesuíta é “reconhecer que, embora pecador, se é chamado a ser companheiro de Jesus, como o foi Santo Inácio. E a missão do pecador reconciliado é a missão da reconciliação: o trabalho da fé que realiza a justiça. O jesuíta da de graça o que de graça recebeu...” [Dec. 26 da Congregação Geral 34]

... e em Portugal

Em Portugal, os jesuítas dedicam-se - entre outras coisas - ao ensino primário e secundário (3 Colégios: Lisboa, Cernache-Coimbra e Santo Tirso), ao trabalho com juventude universitária (4 Centros Universitários: Braga, Porto, Coimbra e Lisboa), às paróquias e “residências apostólicas” (Póvoa do Varzim, Porto, Covilhã, Santo André, margem Sul do Tejo, Mexilhoeira Grande, Portimão,...), ao ensino superior (Faculdade de Filosofia de Braga, Centro de Sociologia de Évora), à publicação de livros e revistas (Brotéria, Revista Portuguesa de Filosofia, Mensageiro, Apostolado da Oração...). Sem esquecer que também Angola (uma comunidade em Luanda) e Moçambique (várias comunidades, que constituem uma Região autónoma) então ligadas à Província Portuguesa da Companhia de Jesus. No que toca a números, os jesuítas portugueses são cerca de 200, dos quais 40 estão em formação, dependendo o seu percurso do facto de serem escolásticos (com vocação sacerdotal) ou irmãos. Depois do Noviciado comum (os dois anos iniciais em Coimbra, de aprofundamento no auto-conhecimento e na relação com Deus e com a Companhia), os escolásticos fazem habitualmente Filosofia (três anos em Braga), Magistério (dois anos integralmente dedicados a alguma actividade apostólica), Teologia (cinco anos, sempre feitos no estrangeiro, sendo a ordenação no final do quarto ano) e a Terceira Provação (a fase final da formação, uma espécie de segundo noviciado depois de tantos anos de estudos). Quanto aos irmãos jesuítas, seguem um percurso alternativo, muitas vezes centrado em estudos especializados (em áreas tão variadas como a Pedagogia, a Arquitectura ou a Enfermagem), e que inclui igualmente uma formação filosófico-teológica e a Terceira Provação final. Nuns e noutros, presentes o desejo e o empenho numa boa preparação para melhor servir a Igreja e os homens e mulheres do nosso mundo… que é afinal o que dá maior glória a Deus! 
  
Filipe Martins sj


Província Portuguesa da Companhia de Jesus © 2010

última actualização: 01.09.2010

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