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A Cor do Paraíso
De: Majid Majidi
Com: Hossein Mahjoub, Mohsen Ramezani e Salameh Feyzi
Drama, M/6, Irão, 1999, 90 min.
 
“É visível e invisível de uma vez.”
 
A Cor do Paraíso é um filme que vai para além da envolvência, vai para além da sinergia, vai para além do imediato. Este filme iraniano conta-nos a história de Mohammad, um menino cego que vive numa escola para invisuais, isolado da sua família, do seu povo. Este isolamento não é ocasional, não é pelo seu futuro, mas antes para um melhor futuro do seu pai, que, com um filho amaldiçoado (assim era entendido no Irão), perderia o seu casamento com uma jovem de uma tradicional família islâmica.
 
Todo o filme assenta na história do menino cego, da cegueira e do invisível. Toda a narrativa evidencia o conflito pai-filho, que surge da rejeição do progenitor. Desta forma, a cegueira ‘primária’ acaba por revelar uma dupla cegueira, pois não é só o filho que é cego, também o seu pai cega, já que não se permite ver mais do que os obstáculos/preconceitos sociais.
 
A falta de visão de Mohammad é compensada pela sua consciência do mundo, pela sua sensibilidade, pela sua aptidão em usar o tacto e a audição, assim como pela sua capacidade intelectual. Mohammad busca o sentido da vida nas mínimas coisas, dos sons mais singelos da natureza à sensibilidade do toque das plantas. Ele consegue adaptar-se aos locais onde vive, consegue estabelecer relações sociais, quebrar com algumas barreiras do preconceito. Em contrapartida, o pai revela a sua cegueira na falta de percepção da realidade social, no seu individualismo e na sua ânsia por dinheiro, que não o permitem desenvolver uma consciência clara do amor do seu filho, dos laços que os unem.
 
Numa sociedade cada vez mais presa à ideia de que o que somos e o que fazemos comunica e transmite a nossa imagem ao outro, a visão é o receptor mais eficaz nesta comunicação. Nessa perspectiva, somos convidados desde o início a libertarmo-nos da prisão visual à qual estamos ligados, somos convidados a ver Mohammad para além dos nossos limites sociais. A forma simples com que este procura ver o mundo é, para nós, uma lição de vida.
 
“Agora, procuro Deus em qualquer parte, até ao dia que minhas mãos O toquem... e Lhe digam tudo, até os segredos do meu coração.”

Bruna Pereira
15.07.2012







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