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Edição 98 | 15 Maio 2013   
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JOSÉ MARIA ARCHER


No colóquio “Jovens Católicos e Política, como é possível esta equação?”, organizado pelas Equipas de Jovens de Nossa Senhora, o Padre Diogo Barata, de Schoenstatt, fez um apelo à boa preparação no testemunho: “Se se sentirem chamados ao serviço público, preparem-se bem.”

Foi uma das muitas e importantes mensagens que levámos connosco: se não estamos bem preparados, o testemunho não é eficaz. Temos de saber fazer aquilo a que somos chamados. É grande a responsabilidade de levar Deus aos outros, porque Ele não está fisicamente presente, como esteve há dois mil anos. O meio que Deus encontrou para estar presente no mundo são os homens. Como disse o Padre Diogo Barata, “se os cristãos não estão na política, Deus também não está”. Ele transforma o mundo por meio de nós, verdadeiros agentes de mudança.

Para um cristão, isto manifesta-se numa vocação comum de serviço, de ser luz de Cristo, mas num caminho pessoal: como posso eu, no espaço onde trabalho ou estudo, transformar o mundo à minha volta?

Em primeiro lugar, por meio da oração. Um cristão deve rezar sempre. Temos de ser perseverantes na oração se quisermos ser competentes na acção.

Depois, é preciso conhecer, por um lado, os textos (como a Bíblia, as encíclicas e outros documentos papais, o Catecismo da Igreja Católica e o Compêndio da Doutrina Social da Igreja), por outro, o mundo em que agimos, ou seja, o contexto a que se vai aplicar os textos. Neste sentido, Tariq Ramadan, professor de Estudos Islâmicos na Universidade de Oxford, fala de uma fidelidade literal (à letra do texto) e de uma infidelidade aos objectivos do texto. É preciso ler e perceber. Mas o mais difícil de tudo é adequar aquilo que se percebe à realidade, alheados da qual corremos o risco de ser fiéis ao texto e profundamente infiéis à vontade de Deus. Tudo isto exige uma entrega verdadeira a esta nossa vocação de serviço.

Recentemente, na visita pastoral a Milão, o Papa Bento XVI falou aos jovens que recebiam o Crisma, pedindo-lhes que elevassem os horizontes. Esse é talvez um dos papeis mais importantes da religião numa sociedade: elevá-la, fazê-la querer ir mais longe. “Vi dico con forza: tendete ad alti ideali”: “digo-vos com força: tendei para ideais nobres: todos podem alcançar uma medida alta, não só alguns! Sede santos! (...) A santidade é o caminho normal do cristão: não está reservada a poucos eleitos, mas está aberta a todos. Naturalmente, com a luz e a força do Espírito Santo, que não nos faltará se estendermos as nossas mãos e abrirmos o nosso coração!”

Leonor Durão Barroso
01.07.2012







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