| Na cidade das urgências, é urgente parar!
Nos dias corridos das grandes metrópoles, parece que o tempo nos escasseia e que tudo tem que ser feito para ontem. O frenezim constante de fundo, embriaga-nos e envolve-nos de tal forma que sentimos que temos que fazer parte dele, não no sentido de pertencer à dinâmica da cidade naquilo que ela nos proporciona de bom, mas no sentido de termos que viver a um ritmo externo que não é o nosso.
O que mais me tocou quando vi este filme, foi sentir que ando nestas mesmas calçadas em ritmo acelerado, e que esse ritmo me inibe de perceber o que se passa à minha volta, foi preciso uma camara parada para me aperceber da dinâmica que me rodeia. Fiquei com vontade de admirar as pessoas, de imaginar as suas vidas, o que sentem e pensam, de me deliciar com o eléctrico e com os recantos mais castiços da minha cidade.
Dei por mim a pensar que esse mesmo barulho de fundo, movimento constante, elástico esticado quase até ao limite, nos empede de olhar para dentro. De nos deliciarmos com o que de bom temos, de olharmos para o mais dificil também, de rezarmos, de nos conhecermos aos nossos olhos e aos olhos d'Ele. Nós merecemos esse tempo, merecemos esse descanso, merecemos decidir o que queremos fazer com o nosso tempo e como.
É urgente parar, é urgente viver.
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