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Já por várias vezes e em vários artigos publicados aqui no essejota.net, e também noutros meios de comunicação, se fez referência ao que de bom adveio ou pode advir desta crise económica em que o mundo mergulhou.

Por estes dias, ao ler um jornal diário, constatei, mais uma vez, como essa é uma verdade. Por entre tantos títulos bombásticos e depressivos, alguns dos quais infelizmente bem realistas, houve um que me prendeu a atenção: “O mundo está mais pacífico, revela o Índice Global da Paz”.

Segundo este relatório, produzido por uma instituição sem fins lucrativos, o Instituto para a Economia e a Paz, desde 2009 que o mundo está mais pacífico, tendo-se inclusive registado um aumento dos níveis de paz em zonas habitualmente mais turbulentas, como a África Subsaariana e América Latina.

Qual a razão? De acordo com o referido relatório, uma das principais razões tem precisamente que ver com a situação económica que os países atravessam. A falta de dinheiro traduz-se em cortes na defesa e consequentemente na definição de outras prioridades ao nível da gestão das verbas públicas. Mas o outro facto curioso, que não é novidade, é que quando há paz, há menos corrupção e o PIB aumenta. Aliás, segundo esse mesmo relatório, se o mundo estivesse totalmente em paz no ano de 2011 o benefício económico seria tal que daria para pagar a dívida europeia.

Ora, tudo isto dá que pensar, não? Se os países conseguem, por força do contexto económico actual, redireccionar o dinheiro que utilizariam para gastos na defesa, sofisticação militar, armamento e se essa alteração se traduz num ganho tão proveitoso como a paz e até mesmo no aumento da riqueza dos países, não seria de tentar manter essa visão de investimento?

Bem sei que neste momento todos os países se sentem constrangidos a fazer o mesmo e portanto estão todos em igualdade de circunstâncias. Mas ainda assim acho que estes são dados a manter presentes, sobretudo quando o cenário de crise passar e os países puderem voltar a ter a tentação de cair no mesmo.

Assim se vê, como da falta de dinheiro pode resultar um bem maior: um mundo mais pacífico para todos.

Isabel Castro
15.06.2012







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