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Edição 36 | 01 Setembro 2010   
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Power to you
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Vale a pena ver e pensar a nova campanha da Vodafone (passe a publicidade…). Em resumo, um “jovem como nós” tem o sonho de se encontrar com a actriz Eva Mendes. Utilizando o seu telemóvel, ele consegue encontrar o contacto de um amigo de um primo de um amigo que tem uma irmã que foi maquilhadora da actriz, que arranja o número do produtor do filme em que trabalharam juntas. Através do produtor, e fingindo que é um realizador que existe de facto, consegue o contacto do agente de Eva Mendes e marca um encontro com ele (no processo, percebe que o tal realizador tem, ao contrário de si próprio, um bigode e uma farta cabeleira encaracolada, pelo que compra através da net acessórios para se disfarçar). Depois de uma reunião de três horas, lá chega ao número do telemóvel da actriz e, finalmente em casa, resolve telefonar-lhe. No desfecho do anúncio, Eva Mendes atende, mas ele desliga. O anúncio está disponível através do link no fim do texto.

O slogan “Power to you” sintetiza a mensagem: a tecnologia torna as coisas possíveis, mas o poder é nosso. Admito que esta possa ser uma leitura com demasiada boa fé. Talvez a mensagem que a marca pretenda, de facto, transmitir seja a de que a tecnologia nos concede o poder. Mas sigamos a primeira linha de raciocínio.

A grande sabedoria numa época em que tudo à nossa volta é excessivo (na abundância como na carência) será a de discernir a utilização que fazemos dos recursos de que dispomos. Como tão frequentemente é afirmado, não são as coisas que são boas ou más, bom ou mau é o uso que fazemos delas (não considerando, claro está, os contextos ou intenções da sua produção). Se o mail ou as redes sociais nos ajudam a manter o contacto com quem nem sempre está fisicamente perto ou a estabelecer o diálogo com quem estando perto geograficamente está a anos luz de distância; se a internet e as novas ferramentas de comunicação e criação de conteúdos estimulam a nossa criatividade fazendo-a materializar-se, que bom é poder usar a tecnologia. Se, pelo contrário, a utilização dessas tecnologias devora o tempo e nos fragmenta em discursos erráticos, além de nos fazer perder a noção da fronteira entre o acessório e o essencial, que desperdício.

Surge esta reflexão a propósito, imagine-se, do Natal. Enfim, ainda Dezembro vai no adro, mas o mundo à nossa volta começa a preparar-se. Nos centros comerciais, onde as luzes, enfeites e penduricalhos lembram que talvez seja melhor começar a comprar quanto antes. Nas ruas das cidades, onde as iluminações começam a acender-se quando a noite cai (também ela cedo). Nas casas, onde os pinheiros começam a enfeitar-se e as figuras do presépio começam a sair da hibernação das garagens, despensas e armários. Nas televisões, onde os anúncios de brinquedos começam a atiçar miúdos e graúdos (embora os brinquedos sejam diferentes, bem entendido).

Também neste tempo excessivo (na abundância como na carência), o poder é nosso. O que fazemos com ele?

http://www.youtube.com/watch?v=qovqBOQXlr8


Clara Almeida Santos
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última actualização: 01.09.2010

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