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Edição 36 | 01 Setembro 2010   
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UM POEMA
Andando, andando, de Juan Ramón Jiménez
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Andando, andando.
Que quiero oír cada grano
de la arena que voy pisando.

Andando.
Dejad atrás los caballos,
que yo quiero llegar tardando
(andando, andando)
dar mi alma a cada grano
de la tierra que voy rozando.

Andando, andando.
¡Qué dulce entrada en mi campo,
noche inmensa que vas bajando!

Andando.
Mi corazón ya es remanso;
ya soy lo que me está esperando
(andando, andando)
y mi pie parece, cálido,
que me va el corazón besando.

Andando, andando.
¡Que quiero ver el fiel llanto
del camino que voy dejando!

Juan Ramón Jiménez
(Segunda Antolojía Poética 1898-1918, Madrid, Colección Austral)

Os que caminham - certos - com um horizonte em vista (mesmo que por vezes apenas entrevisto) escapam à ansiedade do chegar. Fazem-se todos atenção e reconhecem em cada paisagem, cada encontro, cada acontecimento (até nos mais dolorosos) as pistas que os guiam. Voltados para diante, dão-se totalmente ao presente e vivem, em cada passo, o antegozo da espera - de quem os espera.


Juan Ramón Jiménez nasceu em Moguer, no sul da Andaluzia, em 23 de Dezembro de 1881, filho mais novo de uma família abastada. Em 1983 Juan Ramón foi como aluno interno para o colégio de jesuítas do porto de Santa Maria (Cádis), onde fez os estudos secundários até 1896. Aí escreveu os primeiros versos. No Outono de 1896 foi para Sevilha estudar Direito, por vontade paterna, e pintura, por gosto próprio. Começou a ler os poetas espanhóis mais famosos da época: Gustavo Adolfo Bécquer, Rosalía de Castro, Curros Enríquez, e românticos franceses e alemães. De regresso a Moguer, em 1899, correspondeu-se com Salvador Rueda - poeta introdutor do modernismo em Espanha - e Francisco Villaespesa, que abriu a Juan Ramón as portas da vida literária da capital, onde o modernismo começava a triunfar. Deslocou-se para a Madrid em Abril de 1900, ocorrendo pouco tempo depois a morte repentina do seu pai, que lhe causou um traumatismo para toda a vida: o pavor da morte súbita e o consequente desejo de ter sempre próximo de si um médico. No princípio de 1905 voltou para Moguer, dominado por implacável neurose, em busca de repouso e ternura familiar. Em 1913 conheceu Zenobia Camprubí Aymar, mulher graciosa, culta, de espírito sensível e apaixonada pelo poeta e pela sua obra, com quem casou em 1916. O amor e o casamento tornam-se então motivos para um dos melhores livros de Juan Ramón, Diario de un poeta recién casado. Depois de sucessivas viagens e hospitalizações por motivo das frequentes depressões nervosas do poeta, Juan Ramón e Zenobia mudam-se para Porto Rico. O poeta ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 1956, morreu a 29 de Maio de 1958.

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última actualização: 01.09.2010

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