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Edição 98 | 15 Maio 2013   
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Senhoras e senhores, deixem-me apresentar-vos dois senhores e uma música latino-americana. Vou fingir que não reparo que ficam espantados com este adjectivo, e dizer-vos que me sinto especialmente cheia de lata: a verdade é que estes senhores também ainda são uma novidade para mim e que os conheci através de “conhecimentos comuns”, chamemos-lhes assim (com a devida vénia), que certamente teriam muito mais e muito melhores coisas a dizer sobre eles. Kevin Johansen e Jorge Drexler.


Para espreitarem a letra


A verdade é que demorei algum tempo a engraçar com estes dois senhores. Provavelmente porque eram “muito” de quem mos apresentou. Ou se calhar só porque faz parte do charme fazer-me difícil. Com esta música, não tive hipótese nenhuma, claro. E ainda bem.

Agora que a Primavera começa a dar sinais, e que a vida começa a rebentar o cinzento em que estivemos afogados, penso que esta música não é só uma música que gostava que alguém cantasse para mim. É uma música que pode perfeitamente servir de desculpa para olharmos para como anda a nossa vida e vermos em que pessoa é que nos estamos a tornar.

Não temos nunca a nossa vida completamente nas nossas mãos: acontecem-nos coisas pequeninas a que damos uma enorme importância, por exemplo. Ser pessoa é ser assim. Mas temos, apesar de tudo, alguma margem de manobra. É precisamente nessa margem de manobra que se joga a nossa vida, que pode ser mais ou menos como aquilo que sonhamos, mais ou menos parecida com a pessoa que seríamos se deixássemos o nosso coração confiado ao nosso Criador.

Há muitas maneiras de ouvir esta música (como todas as outras), mas há um verso que é como se fosse o nervo principal, e que cristaliza uma verdade de que não me quero esquecer: mesmo se não sei ainda muito bem como é que eu seria se vivesse de coração confiado assim, eu também não quero passar a vida sem que a vida passe através mim.

Joana Cardoso
15.03.2010







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