Mãos ao alto: isto é um manifesto! Juntem-se a mim todos os que estão fartos de convenções sociais, de tradições milenares e do “isto sempre se fez assim”; juntem-se todos os que acordam à espera de descobrir as surpresas pequenas de cada dia, os que ficam contentes com o inesperado e os que acreditam no improvável; juntem-se, enfim, todos os que não conseguem deixar de sonhar e de viver o aparentemente insignificante. Afinal, alguém acredita que as coisas verdadeiramente importantes da vida podem ser encaixotadas, fechadas em esquemas antigos?
O amor gosta pouco de muitas regras. Quando é dominado e se torna previsível enfraquece e atrofia-se, até… não ser amor! Se assim é, por que razão temos que falar dele sempre da mesma maneira, com o mesmo ar bafiento, entediado, gasto?
Por seu lado, a alegria dá-se mal com a complexidade: nasce espontânea, desconcerta por ser irreprimível. Não, não vale a pena… a alegria verdadeira não se força nem tão-pouco se disfarça. Um nariz de palhaço não chega para fazer rir por dentro…
As “Black Cab Sessions” poderiam perfeitamente assinar este manifesto: duas meninas convidam músicos (nem todos facilmente audíveis, infelizmente…) para cantar uma música dentro de um táxi, enquanto Londres vai passando pela janela. Convidam gente para, com simplicidade, fazer em 3 ou 4 minutos alguma coisa boa. E convidam-nos, a nós, a deixarmo-nos surpreender pelo inesperado e inusitado de uma viagem assim.
Uma das minhas sessões preferidas passa-se com os Young Republic. O que mais hei-de dizer? São simples e são bons: são, simplesmente, bons! “Bronagh” é uma canção de amor tipicamente adolescente: desafia as regras do pudor, declara-se ingenuamente, fala do que não é novidade para ninguém com a frescura da primeira vez. E por isso põe-me (e aposto que a qualquer pessoa!) a bater palmas, a abanar a perna, a cantar “ah-hu, ah-hu, ah-hu”…”.
Afinal, terão o amor, a alegria, a felicidade, que ser mais alguma coisa do que isto??