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Título: Mágoas da Escola Autor: Daniel Pennac Editora: Porto Editora Ano da Publicação: 2009 ISBN: 978-972-0-04501-0 N.º de páginas: 253
Propor, em Agosto, um livro sobre a escola, propor, em tempo de férias, um livro sobre a escola, é uma ousadia que talvez me custe a atenção e, quem sabe, até o “bom nome” junto dos mais exigentes leitores do essejota.net. Daniel Pennac, nome maior da pedagogia em França, não merece tão pouca “pedagogia” ao propor-se um livro seu. Mas, e há sempre um “mas”, nada me cativa mais que a oportunidade de olhar para o que faço e para o que farei naqueles tempos de transição, de passagem, em que não estamos nem “lá”, nem “ainda”, mas apenas “antes” e “aqui”.
Mágoas da Escola é um livro curioso. Quer fazer-nos acreditar na “salvação dos piores alunos”, na “remissão dos cábulas”. O autor, Daniel Pennac, é um “caso de sucesso”: de péssimo aluno a pedagogo de renome. As histórias que nos conta são as suas, a reflexão que nos propõe é também auto-biográfica. O estilo do autor é, por isso, vivo e a tonalidade colorida e luminosa do que nos descreve verdadeiramente entusiasmante, mesmo para o mais “empedernido” dos educadores.
A tentação, contudo, é lermos este livro com uma espécie de romantismo precoce, alimentando a sensação de que “vamos salvar o mundo”. Daniel Pennac é um pedagogo e a sua arte mais refinada é deixar-nos “à porta da casa” com vontade de entrar. O que Mágoas da Escola nos deve poder provocar é a inquietação singela de quem semeia sem saber quem colherá, a expectativa de quem se dá sem a certeza de ser recebido.
O tempo do Verão pede um livro que nos lembre a oportunidade dos recomeços, mas que não nos engane acerca das intermitências do real. Também as do processo educativo. |
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Francisco Martins, sj
01.08.2010
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