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Edição 98 | 15 Maio 2013   
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Venho falar-vos, desta vez, do IX Encontro Latino-Americano de Solidariedade e Apostolado Social que teve lugar de 7 a 10 de Setembro na Universidade Indígena da Venezuela (UIV), em Tauca.

O que é a UIV? É uma universidade indígena para indígenas. Foi criada pela ONG Causa Ameríndia Kiwxi, cuja missão é melhorar as condições de vida dos povos indígenas americanos, e que se centra no desenvolvimento de uma educação intercultural bilíngue, envolvendo os indígenas da Venezuela. Actualmente, conta com voluntários fixos e professores itinerantes que não são indígenas e incorpora cerca de 70 alunos de sete povos indígenas venezuelanos: Ye`kwana, Pumé, Pemon, Piaroa, Sanema, Warao, E’ñepa. Cada um com sua originalidade e diversidade e unidos na busca comum da revitalização das suas culturas ancestrais, de forma a garantir a sua sobrevivência e participação na realidade multi-étnica e pluri-cultural da Venezuela e do mundo, assim como o desenvolvimento da consciência crítica, da capacidade para a defesa e exercício de seus direitos colectivos e a formação em técnicas modernas para a sustentabilidade.

O tema deste encontro foi “Educação indígena”. Entre jesuítas, indígenas (Mapuche, Taraumara, Maya, Macuxi, Gayu) e parceiros desta rede de solidariedade, participámos cerca de 80 pessoas de 9 países (Venezuela, Brasil, Guatemala, México, Equador, Bolívia, Peru, Chile e Colômbia). Do Brasil, éramos 16 pessoas, entre membros da Equipe itinerante e indígenas.

Depois da explicação do contexto sócio-político de cada país, a primeira experiência de educação indígena a ser partilhada foi a da UIV. No segundo dia, começámos com uma purificação – o Ritual de Maruai - orientado por Edilasomara (da tribo Macuxi), após o que se foram seguindo várias apresentações.

Impressionante foi poder escutar alguns testemunhos bem fortes da realidade dos jovens indígenas. Recordo um Taraumara do México: “Aprendi a crer em meu povo e a conhecer Deus com meu povo. Estudei em uma escola rural, estive lá 5 anos. Caminhava 5 km para a escola, era perigoso, por isso levava um cachorro para me proteger das feras. Aos 7 anos convivia com meninos do meu tamanho, mas na escola fui discriminado pelos próprios índios Finalmente, papai achou que eu não estava aprendendo nada e me colocou numa escola de mestiços. Fiz silvicultura só para certificar, era uma escola de auto-sustentação, aprendi a lidar com animais. Aos 17 e 18 anos tive muitas dúvidas, revoltas. Fui a uma comunidade a uns 30km, levei dois dias a pé, tinha uma ladeira que levava 8 horas para passar. Tive contacto com a religião e com uma nova realidade. Dalí fui a um povo que era muito alegre e feliz, encontrei-me com Ronco, e ele me convidou para uma reunião do projecto Fé e Alegria. Na minha vida aprendi andando para lá e para cá. Se o índio não existir mais, o mundo vai se acabar, porque o civilizado não sabe cuidar da terra.”.

Os dias do Encontro foram ainda incluindo algumas visitas, assim como dois momentos riquíssimos de partilha em pequenos grupos, para nos escutarmos de coração e aprofundarmos todas estas realidades, vendo como juntos podemos dar um passo mais ou de melhor qualidade no processo de educação indígena. Soubemos, entretanto, que os 34 mapuches em greve de fome no Chile tinham sido presos (pela aplicação da lei anti-terrorista) e que o P. Jesus Garcia, pessoa muito dedicada à causa ameríndia, tinha falecido. Esse dia acabou com uma dança típica dos Yekuana, acompanhada por música e instrumentos típicos.

Já no último dia o tema foi a rede de solidariedade e apostolado social, de forma a apoiar a UIV e a educação própria que ali se vive:“Como somos de culturas diferentes, tudo o que fazemos em nossa vida quotidiana é diferentes ao resto das outras culturas. Também a nossa educação é diferente. Ë oral e prática, quer dizer aprendemos com o que nos é ensinado, pelos nossos avós, os nossos pais, a nossa terra em que habitamos e com a qual trabalhamos. Como esta está sendo afectada, devemos ter um modelo educativo próprio, que nos permita levar o nosso processo de formação e desenvolvimento cultural”. Encerrámos o nosso encontro com uma bonita oração Maya orientada por Audelino, indígena de Guatemala, na qual agradecemos todo o vivido e partilhado nestes dias.

No final, ficava-me a pergunta se os modelos fragmentados ocidentais a que estamos habituados, onde a academia acaba por ter tão pouco a ver com o nosso quotidiano e com a nossa vida familiar, social, cultural e espiritual, não teriam algo a aprender com estas formas mais integradas de educação e de aprendizagem. E ficava-me igualmente o enorme agradecimento, uma vez mais, por tantos ensinamentos e riquezas recebidos durante estes dias.

Luísa Fernandes
01.12.2010







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2010-12-02 21:55:45
Força
Tico, Valladolid
Ânimo, alegria e esperança.
Fortaleza e perseverança.

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