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Autor: António Alçada Baptista Editora: Editorial Presença Ano: 2000 Colecção Grandes Narrativas 5ª Edição, Lisboa, Abril de 2000
Um livro de Memórias parece-me uma boa sugestão para as leituras em tempo de Outono, um tempo sereno e nostálgico, de introspecção, cheio de plenitude. Nos últimos serões, tive a companhia deste livro de Memórias de António Alçada Baptista (1927 – 2008), escritas já no seu Outono pleno, dez anos antes da sua morte. De certo modo, escreve-nos ele, estamos condenados a esperar o Outono para contar como foi a Primavera.
No momento que atravessamos, de grandes desafios para Humanidade, penso como são importantes pessoas como António Alçada Baptista, um homem com um sentido profundo da sua identidade e da sua responsabilidade, como pessoa, como português, como cidadão do mundo e como crente. Ao atravessar as suas memórias, temos o privilégio de atravessar a nossa História recente por dentro, através da sua relação aberta, livre, afectiva e alegre com os acontecimentos e personalidades que marcaram a consciência contemporânea, nas quais interveio de forma simples, crítica e marcante.
Gravo especialmente a leitura das suas origens rurais, pela forma como evocam a ruralidade (perdida?) do nosso país, a sua identidade. Marca-me igualmente a sua constante interrogação sobre o que é ser católico, consciência que foi pautando as suas escolhas e a sua intervenção, na sociedade e na Igreja. Por fim, marca-me a sua capacidade de ser “universal”, ligado a todo o género de pessoas, fazendo pontes entre diferentes culturas, ideais políticos, condições sociais. Fazer memória, construir o nosso Ser sobre a nossa história, individual, cultural, espiritual e cósmica. Uma importante lição que António Alçada Baptista nos deixa para apreender o verdadeiro sentido da vida, num horizonte de transcendência que sempre o marcou. |
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Margarida Alvim
15.11.2010
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