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Autor: Lev Tolstói
Editora:
Presença
Ano:
2010
ISBN:
978-972-234-338-1

Escrito entre 1889 e 1890, Ressurreição é o último romance do escritor russo Lev Tolstói. A sua demanda espiritual e a justificação da vida humana traduzem-se em várias obras que espelham, por um lado, a sua luta contra as injustiças sociais de uma Rússia latifundiária em fin de siécle e, por outro, a construção de uma moral de inspiração cristã. Não obstante as polémicas em que Tolstoi se viu envolvido junto das instituições políticas, judiciais e religiosas russas, o seu legado literário foi digno de memória ao longo do ano 2010, ano em que se celebraram os 100 anos da sua morte.

Ressurreição é o palco de duas narrativas em confronto: a do castigo e a do perdão. Nekhliudov é príncipe e advogado e, como tal, conhecedor das leis justas, dos princípios fundamentais e das regras morais que devem orientar uma sociedade. Porém, a sua história está tecida por um caso amoroso com Máslova, a empregada doméstica das suas tias. Na sua juventude Máslova era pura, casta, firme, obediente e inteligente. Nekhliudov era forte, sedutor, eficaz, espiritual e sôfrego. A proximidade de ambos acaba por se tornar dramática para Máslova que acaba na prostituição e acusada de um crime que não cometeu.

A tomada de consciência de Nekhliudov e o sentimento de culpa pelo estado de vida de Máslova conduzirá o protagonista à percepção da fragilidade da natureza humana escancarada no sistema prisional e na justiça russa. Nesta viagem, o príncipe intercessor debate-se com a impossibilidade de justificar racionalmente o castigo de um ser humano quando percebe que quem castiga também erra. E aí, abre-se a cela para entrar a outra narrativa, a narrativa redentora, aquela que salva no meio do paradoxo, da escuridão, da culpa.

O ano civil inicia-se com traços sugestivos de “reset” mas a nossa história prolonga-se e dura no tempo. Não dá “para esquecer” e, como tal, vamos acumulando memórias e experiências que anseiam mais libertação e redenção do que prisão e castigo. Deixemo-nos visitar por quem está ressuscitado.

Pedro Luz
01.01.2011







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