Autor: Erri de Luca Editora: QUETZAL Ano: 2007 ISBN: 978-972-564-694-6 Aprox. 95 pág.
Erri de Luca já foi apresentado neste site. Gostaria apenas de acrescentar dois pormenores históricos e uma curiosidade. Da leitura da sua biografia percebemos que já palmilhou o mundo e que o fez como consequência das suas escolhas de vida; este é o segundo pormenor, não há ofício que ainda não tenha exercido. Desde operário, militante político, passando por motorista em tempos de guerra, até poeta, cronista e escritor. Como curiosidade, Erri de Luca, era candidato ao prémio Nobel, pela fnac…. Se realcei alguns pontos da vida do autor, não é para com eles estabelecer uma ponte directa para o livro, mas porque estes me ajudaram a perceber a forma como o escreve. Em Nome da Mãe é um diário muito curto, escrito por Maria, nos tempos da sua gravidez. E como diário que é, está cheio de carne, sangue e veias, de quem o escreve, e inevitavelmente fala-me do autor. Homem que fica encantado pelo milagre que é ser mulher e mãe, homem que percebeu existir algo na intimidade de Maria e Jesus, que foi alheio a todos os outros. Este é o ponto de partida do livro, num nascimento, num natal, onde não há relatos de ter havido parteiras, o parto foi um momento de intimidade infinita entre mãe e filho. Talvez os historiadores contestem este facto. Que o façam, este livro não é de história. É, como nos diz sublimemente na introdução, uma profecia do sinal da cruz. Nas suas palavras “«Em Nome do Pai» inaugura o sinal da cruz. Em Nome da Mãe inaugura-se a vida”. Somos convidados a participar na viagem de Maria. Desde o dia seguinte à anunciação, até ao Natal, vamos percebendo como uma menina se faz mulher e como uma mulher se transforma em mãe. No final, há uma descrição da maternidade que nos deixa arrebatados, ainda que tenha sido escrita por um homem. Pode-se dizer de Erri de Luca o que um professor de Filosofia disse de si próprio “Há quem acredite, mas não deseje. Eu desejo, mas não acredito”. Creio que este relato aproxima as mães ainda mais de Jesus. Pela alegria de dar ao mundo uma vida, mas também por ser obrigada a aceitar que essa vida já não é sua.
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