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«Certo dia estava Maria a passear quando encontrou um anjo que lhe disse que iria conceber e dar à luz um menino ao qual poria o nome de Jesus. Não seria um menino qualquer, mas o salvador. Maria espera e sente que no seu seio cresce um menino, sente em si uma vida que não é sua, que vive no seu interior, que em tudo partilha o seu ser, mas não é sua... Prepara o seu nascimento e ama já este menino que ainda não viu, mas que sente a toda a hora. Sente porque não pára de se mexer, porque tem vida, muita vida e uma vida que estando em si, não é sua. Chegada a hora, o corpo de Maria (mais do que a própria Maria) sabe o que vai acontecer, o menino está pronto e vai nascer. Maria dá à luz... Maria dá à luz um filho... Maria dá à luz um filho ao qual José, seu marido, põe o nome de Jesus. Jesus chora, abre os olhos e fecha os olhos, vê muitas coisas, coisas demais. Chora, come, dorme... Conhece aquele cuja voz mais ouvia, José. Agora não é só voz, mas carne e cheiro. É colo. Maria está exausta, mas nunca se sentiu tão feliz. Uma alegria imensa invade o seu ser, o seu filho e seu Deus está nos seus braços. Agora pode vê-lo e crer ainda mais. O menino é pequenino e não quer estar em mais lado nenhum, só os braços de Maria o amam e conhecem desde sempre... Agora Maria e José acolhem e amam aquele que lhes foi dado por Deus, a graça das graças e a bênção das bênçãos, pois é o próprio Deus feito carne.»
Preparar o dar à luz, dar à luz, acolher a luz: amar a luz, ser a luz...
Esta história não é nova, nem precisa de o ser. O seu encanto ou não sente o tempo ou sente-o e ama-o tanto que este nada lhe faz, a não ser dar brilho ao brilho. Não é encantadora? Não conquista já? Maria é a Igreja e esta Igreja somos nós, os crentes, e neste Natal vamos dar à luz o menino Jesus. Até lá esperamos e preparamos a vinda, amando já aquele que ainda não vimos, mas sentimos ou sabemos que habita o nosso seio e se prepara para vir à luz. A Igreja de esperanças, grávida, fica com uma grande barriga e nós com ela somos também chamados a ser esperança que se transforma em luz no nascimento. No Natal, a Igreja dá à luz, acolhe e ama aquele que é o seu Deus e Senhor e ao ter nos seus braços a Luz, ela própria é chamada a ser a luz do mundo, porque não é por si que vive, mas pela Luz que carrega nos braços...
Assim acontece todos os anos para que voltando ao que é o seu mistério a Igreja se encontre consigo mesma, com o seu coração e aí na fragilidade de um Deus que se faz menino perceba qual é a sua luta e missão, perceba que é amor no mundo, amor que ama e se dá até que se perde em tanto amor.
Neste Natal vou dar à luz? Vou segurar o menino nos braços e fazer d’Ele a minha Luz?
Não é só no Natal que damos à luz, nem são só as Mães que dão à luz os seus filhos. Todos damos à luz tantas coisas em diversos momentos. Por vezes com dor, outras nem por isso. Noutros momentos, sabemos bem para o que vamos, noutros nem nos apercebemos. Mas somos sempre chamados a preparar, amar e acolher aquilo que somos e criamos, o que trazemos ao mundo, o que damos à luz. Porque é isso que fica, o amor que preparei, acolhi e dei, o amor que criei. Este amor é a esperança e a luz porque só ele é capaz de gerar sempre vida e mais vida.
O que dou à luz? Porque dou à luz? |
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Joana Viana Lopes
15.12.2010
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