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Um atraso de um avião fez-me parar, há dias, durante algum tempo à frente de um escaparate com revistas de todo o mundo.
Duas delas, uma belga e outra francesa, faziam capa com o mesmo “fenómeno”: poderemos chamar-lhe, para abreviar, o novo poder católico. Melhor dizendo, dos católicos. O Le Vif destacava na capa “Belgique: Les nouveaux réseaux cathos”. O L’Express sublinhava“Le nouveau pouvoir des cathos”. A abreviatura cathos remete para o facto que transforma o fenómeno em notícia: este poder é exercido por jovens.
[Abre-se aqui um parêntesis para uma breve nota sobre jornalismo... De tudo quanto se passa no mundo, os jornalistas selecionam alguns acontecimentos ou problemáticas para levar à agenda pública. Esta escolha, dizem vários autores, é condicionada pelos chamados valores-notícia. A tipologia clássica destes critérios de noticiabilidade, da autoria da parelha Galtung e Ruge, apresenta 12 características das estórias que podem levar a que elas sejam contadas por jornalistas: frequência, amplitude do evento, clareza, significância, consonância, inesperado, continuidade, composição, referência a nações de elite, referência a pessoas de elite, personalização e negatividade.]
Faz sentido considerar que os valores-notícia presentes nesta escolha de tema sejam a amplitude do evento, a sua significância e porventura o seu caráter inesperado. Se não, vejamos o primeiro parágrafo de um dos (muitos) artigos que compõem este destaque: “as igrejas esvaziam-se, os padres envelhecem? Fora dos canais tradicionais , uma nova geração de católicos ganha nova chama, com muita força, a tecer as suas redes. E já com algumas belas vitórias políticas na mão”.
Mais importante do que a conquista da atenção jornalística é a constatação da não confirmação das profecias de quem anunciava a morte dos rituais, dos ideais e da fé católica. Erraram também aqueles que preconizavam que esta religião era só de e para velhos.

Podcasts com orações (www.pray-as-you-go.org e www.passo-a-rezar.net), o sucesso das Jornadas Mundiais da Juventude e o número crescente de blogs e sites de inspiração católica são apenas algumas provas desta vitalidade. As redes sociais tornaram-se cruciais para divulgação de atividades e mobilização dos espíritos. Cruciais também porque mostram que a cruz é, não só geometricamente falando, um sinal positivo de uma revolução atual. |
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Clara Almeida Santos
15.05.2011
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