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Edição 98 | 15 Maio 2013   
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Começamos a fechar 2008 e a abrir 2009. O “mundo à nossa volta” deu muitas voltas e promete ainda mais. Politicamente, ainda agora arrefecem as eleições americanas – como vibrou e se entusiasmou o mundo com a eleição deste novo Presidente! Por cá, Portugal prepara-se para dose tripla, o novo ano trará eleições europeias, autárquicas e legislativas. Vamos ter discursos, as nossas “mudanças” e muitos desafios a enfrentar.

Salta uma necessidade urgente de confiança e esperança – se algo de bom se pode retirar do fenómeno global que foram estas recentes eleições, é esta renovação e elevação com que se deu a campanha – quer no respeito e cavalheirismo mútuos, assentes na ideia de que qualquer dos candidatos era bom, quer na motivação e no entusiasmo que se gerou em torno dos dois senadores e da sua mensagem.

Portugal (e a Europa, em geral) bem precisa de procurar este regresso de confiança na política e nos representantes que asseguram a sua democracia. Contrariar rapidamente um espírito de “menos mau”, de rotatividade como inevitabilidade entre descontentamentos. O descrédito das instituições, a crença de que a corrupção passa impune e a desconfiança e falta de identificação com os líderes são feridas abertas de uma política que grita por homens e mulheres que saibam unir vontades e criar consensos.

Em ano de festejar o Padre António Vieira, clamam os seus descendentes por líderes que suscitem essa motivação, confiança e entusiasmo. A construção dessas figuras (essenciais à democracia) parte do próprio debate público que pede mais, muito mais. Só assim regressará uma ideia de “servidores do interesse público”.

As reformas, para o serem de facto, reclamam pactos e mais união, pedem continuidade, pensada, explicada e preparada. Em tempo de velocidades furiosas, internets e imediatismos, esquece-se a importância de esperar pelos frutos e de os deixar nascer, sem afogar ou secar a árvore com as pressas. Hoje, mais do que nunca, a necessidade de “obra feita” choca com o longo prazo. Uma mudança de paradigma terá consequências em todas as áreas.



A mudança, para cada área, seja na Educação, Justiça, Saúde ou mesmo no nosso posicionamento na Europa, parte sempre da maneira como cada um está atento, se envolve e procura as propostas que vão sendo dadas (continuar a navegar na net leva-nos às páginas dos vários partidos e movimentos, algumas muito completas e oferecendo pontos de vista pertinentes e novos), lançando-se o desafio de tentar arriscar respostas e formas de enfrentar as questões que se vão colocando à política portuguesa. O ideal é procurar sair das nossas áreas mais próximas, informando-nos do todo, do “mundo político à nossa volta” e buscar um lugar activo no melhoramento desse mundo. Esse lugar pode ser ocupado de tantas formas… seja através dos partidos constituídos e a constituir, seja mais “no terreno”, em associações e instituições para todos os gostos. “Nós podemos” faz todo o sentido em português, faz todo o sentido na renovação da participação política, numa nova força para um país melhor.

E deixar de isolar “os políticos”, desculpando-nos e desresponsabilizando-nos. Somos todos políticos, ainda que passivos ou adormecidos. Em democracia é pelo jogo da dinâmica e acção de cada um que chegamos aonde estamos. Às vezes, distanciando-nos destes “políticos” que caricaturamos e afastamos de nós, esquecemos que eles se chegaram à frente e, muito provavelmente, estão a tentar o melhor que podem. E nós? Politicamente tentamos o melhor que podemos?

A abrir Dezembro, comemorando a Restauração, pede-se a restauração do discurso e da vontade política, bem mais que um mero jogo de índices económicos e controlo financeiro-fiscal como, às vezes, parece reduzir-se. Pedem-se novos sonhos maiores que uma nação. 

Portugal tem de sair dos nevoeiros e encontrar líderes como aquele que, há quatro séculos, depois de crise bem mais profunda, António Vieira viu em D. João IV. Apoiar os nossos dirigentes, estar atento, pedir mais, fazer mais, viver a política e procurar confiança e esperança. Ser “brando nos costumes” não impede que se seja grande nos feitos.

E eu? Que “político” serei no novo ano? Que português? Conseguirei ser alguém acordado para o mundo à minha volta?

Miguel da Câmara Machado
01.12.2008







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