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Edição 36 | 01 Setembro 2010   
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O MUNDO À NOSSA VOLTA
Ter o tempo na mão
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É sem dúvida incrível, e por vezes assustador, pensar na quantidade de coisas do mundo à nossa volta que podem ser controladas pelo ser humano. O crescimento das plantas, o curso dos rios, a proliferação animal e mesmo a concepção e nascimento de um novo homem, há muito que deixaram de ser “mistérios da natureza” para constituírem áreas de investigação e investimento em função do bem-estar da nossa espécie.

Mas claro que há fenómenos que escapam (e escaparão?) à nossa mão controladora. Um deles é o tempo. O tempo está sempre lá, sempre a passar, sempre a passar. Estejamos a dormir ou acordados, a tomar consciência ou não, ele não pára, nunca pára. E quer seja vivido com angústia ou com toda a naturalidade, é sempre um facto incontornável e transversal a tudo o que acontece no mundo, dentro e fora de nós.

Assim, incapazes de controlar o tempo, aprendemos a geri-lo. E isso, acho que se pode considerar uma arte dos nossos dias. A quantidade de solicitações diárias, a exigência na prontidão de resposta a essas solicitações e a pressão para uma actuação concordante com as respostas, fazem com que, decidir em quê e como usar as 24h do nosso dia seja um desafio real e diário.

Tal como na arte, as técnicas e estilos de gestão do tempo variam muitíssimo. Há quem programe os dias ao minuto e utilize vários meios para se lhe manter fiel – boa memória, disciplina, agendas, listas de tarefas, uma secretária, lembretes no telemóvel, post-it’s nas paredes, recados escritos na mão, um cordelinho atado no dedo; há quem, pelo contrário, vá vivendo e gerindo em simultâneo, sentindo a que (ou a quem) é que deve dar mais tempo, sem ter de planear. Há quem queira sempre aproveitar o tempo para fazer coisas, para o pôr a render, acabando por encadear umas actividades nas outras ou mesmo várias ao mesmo tempo; há quem prefira fazer tudo com mais calma e dar mais tempo a cada coisa. Há quem sinta o tempo como um bem precioso como a água ou o petróleo, o qual é preciso gerir muito bem; há quem considere o tempo eterno. Há quem ache sempre que tem tempo; há quem ache que nunca tem tempo.

E aqui chegamos a uma queixa que salta de boca em boca entre qualquer simples conversa de adultos – a falta de tempo. A falta de tempo para estar com a família, filhos e amigos. A falta de tempo para ler um bom livro, para ver um filme ou para rezar. A falta de tempo até para…estar sozinho.

Perante tanta ausência de tempo, são apontados inúmeros “ladrões de tempo”: a sociedade do século XXI, o mundo desgastante do trabalho, os serviços públicos que não funcionam, as burocracias lentas e exaustivas, os transportes públicos, etc. Não faltam suspeitos deste novo crime: o roubo do tempo. No entanto, não é deles toda a responsabilidade, porque…somos seres livres. É que embora vivamos condicionados por aquilo que existe na sociedade, não somos escravos, e a nossa vida acaba por ser muito mais consequência directa das escolhas que fazemos, do que de factores exteriores a nós. Aceitar um emprego que me exige 50 horas por semana ou um que seja só part-time; decidir viver numa grande cidade ou no campo, perto do local de trabalho ou mais longe; usar transportes públicos ou o carro; comprometer-me com muitas actividades extra laborais ou não; ter muitos amigos e dedicar-me a várias pessoas ou concentrar-me em duas ou três; ser muito ou pouco perfeccionista, são tudo escolhas - mais ou menos livres - que condicionam o nosso estilo de vida e o tempo (ou falta dele).

Assim, aparente realidade abstracta que nos é tirada (ou mesmo roubada), o tempo mais não é do que opção concreta, uma escolha visível, um objectivo palpável. O tempo, afinal, está nas nossas mãos?

Teresa Souto Moura
01.02.2010

23   PARA AVALIAR O NOSSO GRAU DE FATALISMO
Zé Maria Brito 01.01.2010

22   POWER TO YOU
Clara Almeida Santos 01.12.2009

21   DEPOIS DISTO NADA SERÁ IGUAL
Miguel da Câmara Machado 01.11.2009

20   AMORES DE CARNE E OSSO
Zé Maria Brito 01.10.2009

19   QUEBRAR REGRAS? PARA QUÊ?
Miguel da Câmara Machado 01.09.2009

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última actualização: 01.09.2010

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