“Como o presente é antiquíssimo, porque tudo quanto existiu foi presente, eu tenho para as coisas, porque pertencem ao presente, carinhos de antiquário, e fúrias de coleccionador precedido para quem me tira os meus erros sobre as coisas com plausíveis, e até verdadeiras, explicações científicas e baseadas.” (Vicente Guedes)
Tudo isto para quê? Que não se trate nunca da máxima do carpe diem, esse gigante doce disparate. Que não se trate tão pouco da preocupação de construir futuro, que isso é perigoso e lapso de tempo ignorado.
Seja então quase como uma consciente construção de presente.
Parece-me a mim que terá mais sentido construir um presente do que um futuro, porque o futuro não existe. Isso é ideia do tempo do meu pai. O que existe é a possibilidade de construir passado, todos os dias. Porque se construir futuro para os meus filhos e os que estão para vir, eles chegam cá e nem os carros voam nem as pessoas se teleportam nem há emprego para ninguém, e gastei o presente preocupado com o que há-de vir.
O que tem sentido é construir presente, o antiquíssimo presente. O que tem sentido é entender que os meus filhos já nasceram há muito tempo com as escolhas que fiz ontem e que crescem a olhos vistos com o que vou construir hoje, com carinhos de antiquário, não para a minha colecção, mas para os outros.