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Edição 98 | 15 Maio 2013   
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Durante este mês tem lugar em Madrid a Jornada Mundial da Juventude, um grande encontro de jovens de todo o mundo com o Papa. Como todos os grande eventos, este encontro merece um especial cuidado de preparação e é esse o objectivo do MAGIS.

Ora, sendo o MAGIS uma proposta inaciana, este ano tem um sabor especial: os participantes poderão refazer o itinerário da vida de Santo Inácio, nascido em Loiola e falecido em Roma, onde foi para se oferecer para aquilo a que o Papa o quisesse enviar.

O castelo de Loiola é uma dupla referência na sua vida, pois além de aí ter nascido, aí se deu a sua conversão enquanto convalescia de uma ferida de guerra. Ou melhor... aí se deu o início da sua conversão. Incendiado pela imaginação (contagiado pelos livros que lia - vidas de santos e romances de cavalaria), deixou-se mover pelo desejo de fazer coisas grandes para oferecer a Deus, e decidiu-se a passar das ideias à acção. Depois de partir de Loiola, a sua ideia de coisas grandes para oferecer a Deus mudou muito, mas gradualmente.

Mas todas as histórias precisam de um início e, depois, o caminho faz o resto. Em geral, mas sobretudo no caso de decisões motivadas pela fé, o importante é decidir-se a partir, e fazê-lo mesmo que não se tenham reunido todas as condições que se julgam ideais (por exemplo, percurso bem definido e etapas já planeadas, mantimentos para toda a viagem, mapas de todas as cidades por onde passaremos, estojo de primeiros socorros, conhecimento de todas as línguas dos sítios por onde pensamos passar, etc, etc, etc). Certezas absolutas de que chegaremos ao destino X ou Y, à hora H... nunca as teremos. Mas de uma coisa podemos estar certos, de que algo em nós mudará.

É por isso importante partir com um coração atento e aberto aos sinais que aparecem no caminho. E aqui entra a arte do discernimento, que procura ver para onde aponta o dedo de Deus. Os encontros, as dificuldades, os enganos, tudo pode ser ocasião de rever alguns pormenores (ou “pormaiores”) do plano. Às vezes não conseguimos mesmo decidir o que fazer, mas mesmo aí, com criatividade, podemos entregar-nos com confiança a Deus. Um exemplo desta criatividade pode ser um episódio engraçado da vida de Inácio é aquele em que, enraivecido contra um mouro que ofendeu Nossa Senhora, sem saber o que fazer, deixou que a sua mula decidisse, numa espécie de cara-ou-coroa, que caminho seguir. Para um cavaleiro como ele, uma grande coisa a fazer seria não deixar aquele mouro escapar ileso daquela ofensa. No entanto, Inácio não era prisioneiro da sua imaginação e desta vez aceitou que a mula decidisse que uma grande coisa seria respeitar a vida daquele homem.

Nesta grande viagem que começou em Loiola e teve muitas etapas, Inácio manteve sempre uma atitude fundamental - humildade. Ele não era certamente cego, nem surdo, nem parvo. Conhecia com certeza muitos defeitos da Igreja do seu tempo que, inclusive lhe levantou muitas dificuldades por não ter ainda estudos de teologia ou pela novidade dos seus escritos. No entanto nunca a julgou nem se revoltou e aceitava estes incómodos como elementos para os seus discernimentos ao longo do caminho. Acreditava que a Igreja é de Deus e por isso, a última grande coisa que fez por Deus, e a que deu sentido a todas as coisas que se seguiram, foi oferecer-se ao Papa para que este dispusesse dele como entendesse melhor. Depois disto, passou 15 anos em Roma, a fazer grandes coisas sentado a uma secretária a partir da qual comunicava com gente de toda a parte falando de Deus, aconselhando e dirigindo.

O MAGIS terminará em Madrid integrando-se na JMJ. No fim, na Missa de envio, o Papa dirigir-se-á aos jovens presentes, para os enviar ao mundo testemunhar a sua fé. E esta é uma coisa muito grande!


Exercício: Assumamos o envio que o Papa fará no final da JMJ. Com a imaginação, procuremos ver como podemos ser testemunhos da nossa fé. E depois... ponhamo-nos a caminho, passemos da imaginação à prática confiando em Deus.

Frederico Lemos, sj
01.08.2011







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