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Edição 98 | 15 Maio 2013   
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As associações de protecção e assistência aos condenados (APAC) são uma alternativa ao sistema prisional tradicional que trazem uma abordagem completamente inovadora. Distinguem-se por promover a dignidade do recluso, ainda que estes estejam privados de liberdade. Mas são muitas as diferenças para o sistema prisional comum. Numa APAC os presos são “recuperandos” e acredita-se que qualquer um pode recuperar da vida do crime. A APAC interage com a sociedade preparando a reinserção social após a pena. Um recuperando trabalha, estuda, trata da casa e assim se despede da vida de criminoso. Ex-recuperandos, familiares de recuperandos e cidadãos da cidade que insere uma APAC, são voluntários para muitas actividades médicas, educacionais, lúdicas ou espirituais. Mas são os recuperandos que asseguram a manutenção da APAC desde a limpeza à própria vigilância e o mais inédito é que há muitos menos fugas do que no sistema prisional tradicional…

Alem de humanizar as prisões, este método reduz em quatro vezes os custos de manutenção da unidade prisional, baixa os índices de reincidência de 75% (média a nível mundial) para cerca de 10% ! A valorização humana, o voto de confiança e a disciplina constituem as bases deste modelo prisional que cumpre perfeitamente a dupla funcionalidade da pena, que é punir e recuperar a vida profissional, social e familiar do recluso. A funcionar no Brasil há mais de 20 anos, a APAC é já um exemplo que tenta ser seguido por muitos países em todo o mundo.

Valdeci Fernandes, é um grande dinamizador deste conceito criado em 1972 por Mário Ottoboni. Curiosamente, para Valdeci, mais difícil que criar e manter prisões sem guardas, é quebrar o preconceito de que uma utopia pode ser realidade. Nesta conversa, mais do que compreender as APACs, procuramos esse horizonte atrás das grades, pelo olhar de quem o perscruta há mais de 28 anos.

Teresa Nazareth
15.07.2011







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