home   |    quem somos   |    os sj   |    espiritualidade inaciana   |    contactos   |    ligações   |    agenda   |       |   
Um Vídeo
Uma Imagem
Um Poema
Cartoon
Crónica de Longe
O Mundo à nossa volta
Entrevista
Histórias
Ler um Livro
Ir ao Cinema
Ouvir música
Entrar no Museu
Reflexão
Razões da Fé
Espiritualidade Inaciana
Editorial
Ligações
Arquivo
Edição 98 | 15 Maio 2013   
APROFUNDAR
  RAZÕES DA FÉ  
    A liturgia é realmente importante na vida dos cristãos?
NºS ANTERIORES
Reflexão
Juventude em Marcha
VASCO CORDOVIL CARDOSO

Espiritualidade Inaciana
A Vida, lugar de Revelação
SÉRGIO DIZ NUNES SJ

Quando no ano de 313 o Imperador Constantino concedeu liberdade de culto aos súbditos do Império Romano, uma avalanche de gente começou a forçar a entrada na Igreja. A situação foi-se tornando cada vez mais difícil ao longo de todo o século IV, até que a proclamação do cristianismo como religião oficial pelo Imperador Teodósio em 380 levou ao extremo essa dificuldade.

Qual era afinal o problema?
O cristianismo era desde o seu início, e pela sua natureza, uma religião iniciática. Nascia-se judeu, mas não se nascia cristão.
O cristão tinha que nascer de novo, como ensinou Jesus de noite a Nicodemos, porque, “se alguém não nascer de novo não pode ver o reino de Deus” (Jo 3,3). Por isso, quem se aproximava do caminho, vindo do paganismo ou do judaísmo, tinha que ser iniciado através daquilo que chamamos hoje os Sacramentos da Iniciação Cristã. Aquele que tinha sido preparado e escolhido, mergulhava nas águas baptismais, para dali renascer e erguer-se, passando do homem velho ao homem novo. Recebia então o sinal perfumado da pertença a Cristo (o crisma), e só então era conduzido à comunidade reunida à volta do altar, para participar do pão da vida e do cálice da salvação. Tudo isto não quer dizer que o cristianismo fosse uma seita estranha ou ocultista. De facto, quem não era cristão podia perfeitamente reconhecer um cristão pelo seu modo de viver, e muitos foram os cristão que foram mortos pelo facto de serem cristãos. Na verdade, a fé era celebrada e professada para dar frutos de vida.
Mas o coração, a alma, a fonte da energia da vida dos cristãos essa sim, permanecia interior e preservada pela lei do arcano. O culto dos cristãos, como culto iniciático, pressupunha pela sua natureza que só podia participar na liturgia quem tivesse sido iniciado, não supondo, por isso, exposição pública. Era precisamente aqui que se encontrava o paradoxal problema do século IV.
Alguma coisa de muito importante para a vida da Igreja estava realmente ameaçada. Por esta razão, vários bispos do século IV e início do século V, como Cirilo de Jerusalém, João Crisóstomo (em Antioquia), Teodoro de Mopsuéstia, Agostinho de Hipona e Ambrósio de Milão, vendo o perigo de ter as igrejas a abarrotar de pessoas que não entendiam absolutamente nada do que estava a acontecer, por não terem sido iniciadas, criaram a mistagogia: ou seja, sessões de catequese para adultos, através das quais introduziam os novos chegados à fé, ao Mistério de Cristo e da sua Igreja, a partir da liturgia celebrada. Desta atitude tão pastoral como teológica teve origem a célebre máxima que se foi formando ao longo dos séculos: Lex orandi, lex credendi, lex vivendi, expressão que pode ser parafraseada desta maneira: a Igreja vive como crê, e crê como celebra.
A questão da participação activa e consciente na liturgia é um importante desafio de ontem como de hoje, porque se trata, afinal, da participação no mistério de Cristo, noutras palavras, trata-se da salvação. O conteúdo da liturgia é de facto a salvação de Jesus. A liturgia existe para que todos os homens e mulheres de todos os tempos e lugares possam participar do evento salvador de Jesus Cristo, desde a noite em que foi entregue e em que nos entregou o modelo da eucaristia… até que Ele venha. Por isso dizia S. Leão Magno, aos cristãos de Roma, que “aquilo que era visível no nosso Redentor passou aos sacramentos”.


Percebe-se então, porque é que este tema é demasiado precioso para ser deixado à polémica superficial e às ideologias instrumentalizadoras da liturgia, quaisquer que elas sejam. De facto, a ideologia ameaça e quase impede a nossa participação frutuosa na liturgia…

Fernando António, sj
01.09.2011







Comentários
Insira o seu comentário
 Nome
 Email (não será publicado)
 Localidade
 Título

Nenhum comentário encontrado.

61   CREDO. ANATOMIA BREVE DA FÉ CRISTÃ.
Rui Fernandes sj 01.10.2011

60   ENTREVISTA COM O CARDEAL KASPER
Rui Miguel Fernandes 15.09.2011

58   DOIS FÍSICOS CONVERSAM SOBRE A FÉ - EPÍLOGO
Pedro G. Lind | Bruno Nobre 01.08.2011

57   DOIS FÍSICOS CONVERSAM SOBRE A FÉ (7)
Pedro G. Lind | Bruno Nobre 15.07.2011

56   DOIS FÍSICOS CONVERSAM SOBRE A FÉ (6)
Pedro G. Lind | Bruno Nobre 01.07.2011

ver mais
SOBRE O MESMO TEMA
Razões da Fé
79   FÉ E ARTE - PIERANGELO SEQUERI
Rui Fernandes sj 01.01.2013

Cartoon
28   CRISTO, LUZ DO MUNDO
Francisco Rodrigues (Pica) 01.01.2013

Espiritualidade Inaciana
55   AUTOBIOGRAFIA DE STO INÁCIO: UM ABANDONADO EM DEUS OU UM SOLDADO DE DEUS?
Afonso Seixas Nunes, sj 01.01.2013

ver mais
Província Portuguesa da Companhia de Jesus © 2013

última actualização: 15.05.2013

comentários e sugestões: Contactar +