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O mobile é composto por placas planas de metal, muitas vezes pintadas, equilibradas em fios de arame fino que as mantêm suspensas. Nada está fixo. Cada elemento move-se num ou noutro sentido, em relação com os restantes, numa espécie de universo.

Os mobiles de Calder são estruturados a partir do movimento. As peças que o compõem são tão leves, que tudo o que acontece e se move ao seu redor provoca nele movimento.
A luz e o movimento multiplicam os pontos de vista na percepção do mobile.

Observo a velocidade lenta com que se move, a calma dessa velocidade, desse tempo.

Encontro Deus na beleza e na serenidade.
Lembra-me Deus ao imaginar as horas de Calder à volta do mobile à procura do equilíbrio, do ponto perfeito. Penso como às vezes andamos mais à volta das nossas peças, que nos compõem, do que do ponto de equilíbrio, que nos regula.

Passo tempo a observar o mobile sobre o meu quarto, à procura desta calma nos dias velozes, à procura deste ponto preciso do corpo e da alma, à procura destas cores.


Alexander Calder nasceu em 1898 na Pensilvânia. Filho de escultora e pintor, desde criança fazia os seus próprios brinquedos. Formou-se em Engenharia Mecânica, área na qual ainda trabalhou até se ter mudado para Nova Iorque. Aí frequentou um curso de Artes.

No atelier de Mondrian, Calder impressionou-se com as paredes pintadas de cores e riscas pretas. Imaginou que tudo aquilo, todo aquele abstracionismo se deveria mover. Para Calder a arte tinha de estar em movimento.

“How can art be realized? Out of volumes, motion, spaces bounded by the great space, the universe. Each element able to move, to stir, to oscillate, to come and go in its relationships with the other elements in its universe. It must not be just a fleeting moment but a physical bond between the varying events in life.”

Morre em 1876 em Nova Iorque com 78 anos.

Marta Pupo
15.09.2011







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