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Ela lembrava-se daquela imagem dos desenhos animados do diabinho e do anjinho sobre os ombros de um personagem. O diabinho, sempre mais interessante e inteligente que o anjinho. O anjinho até um pouco patético e fora da realidade, balofo, intelectual e fisicamente. O diabinho, esse sim, engraçado, desafiador, esperto... O mal é de facto mais atraente, o bem mais maçador. O mal é mais exigente, o bem mais conformista. O mal é mais estimulante, o bem mas pacífico. É, pelo menos, esta a imagem social de bem e mal. Mas agora ela perguntava-se se o bem podia ser atraente, exigente, estimulante, desafiador. Como quase sempre neste tipo de resposta, o resultado: individualmente sim, socialmente não. Soava-lhe bastante estranho esta recorrente resposta que em termos individuais diz uma coisa, mas em termos sociais diz outra. Espantava-se com isso , pois se ela era parte desta sociedade porque não tinha peso nela, porque não marcava a diferença e transformava esta visão? Ficou assim, nesta interrogação, em busca de uma solução. |
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Margarida Reduto
15.09.2011
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