Se tivesse de recomeçar a vida Raul Brandão Livraria Civilização Editora 2006, 72 págs. ISBN: 972-26-1177-1 Começar o ano, começar cada dia, (re)começar a vida. Ritmos e ciclos que nos escolhem e que não podemos parar. Tempos que nos visitam com uma insistência benevolente que por vezes tememos, por vezes nos acaricia. Mas que sempre, assim como duram, nos vêm a reclamar a profundidade. Também assim com Raul Brandão. Por isso, Se tivesse de recomeçar a vida não é um arquivo de memórias. Não relata o curso biográfico do autor. Relata, sim, as intensidades vividas sob o signo da ternura. A infância na Foz do Porto, mundo de pescadores e mar. A silenciosa presença da mulher que lhe criou a alma. A vida bruta e inteira da aldeia, dos montes e dos vultos seculares que a povoam. Tudo sob o signo da TERNURA. A ternura que permanece como a marca indelével do que não passa e que torna a vida «um acto religioso». “Ler para recomeçar” talvez pudesse ser, assim simplesmente, a sugestão. Ler para recomeçar um ano, para abrir um novo tempo. E, nesse movimento, (re)aprender, “recomeçar a ler”, outra vez e sempre a vida, a partir da densidade do tempo. |